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Waldeck Ornélas: Salvador sem água?
Notícia Postada em: 06/06/2017
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Foi a partir das comemorações do Dia Mundial da Água, que se celebra a 22 de março, e em decorrência de discussões técnicas, que começaram a pipocar especulações sobre a vulnerabilidade do abastecimento de água de Salvador. Em seguida, o próprio governador do Estado sinalizou a gravidade do problema pedindo, ainda no mês de abril, a conscientização da população, para reduzir o consumo de água. Hoje, com a maior desfaçatez, já se fala abertamente em racionamento e a Embasa promove campanha oficial de economia de água. Na prática, são frequentes e constantes as notícias de falta de água em várias áreas da cidade, sob motivos os mais diversos, embora falte transparência e, sobretudo, solução à vista.

Em comparação com a situação de outras capitais, do Nordeste ou do Sudeste, nós baianos sempre nos ufanamos de nossa segurança hídrica. E tínhamos nisto um fator diferencial e de competitividade. Qual não é, pois, a surpresa com que se toma agora conhecimento de que estamos nessa situação inesperada.

E isto não tinha razão alguma para acontecer. Desde a década de 1970 sabia-se da insuficiência dos cursos d’água aqui próximos para abastecer uma metrópole que conta hoje com 3 milhões de habitantes, a que se deve acrescentar as cidades da região metropolitana e as áreas industriais.


Pensando nisto foi construída, no segundo governo Antonio Carlos Magalhães (1979-1983) a barragem de Pedra do Cavalo, dando origem a um lago artificial de 186,2km², acumulando 4 bilhões e 66 milhões de metros cúbicos de água. No quadriênio seguinte, o governo João Durval implantou o sistema de captação de água para a Grande Salvador, com 82 km de extensão, onde se destaca a adutora de Pedra do Cavalo, para atender a Salvador e seus polos industriais periféricos, servindo também a Santo Amaro, São Sebastião do Passé, São Francisco do Conde, Candeias e Madre de Deus, além de uma derivação para reforço do reservatório de Joanes II, o que permite atender ao consumo doméstico de Camaçari, Dias D’Ávila, Amado Bahia e Mata de São João e ao consumo industrial do CIA e COPEC. Este é o tamanho do problema que temos pela frente.

O complexo de Pedra do Cavalo foi concebido como solução de longo prazo e múltiplos usos, inclusive a regularização das cheias do Paraguaçu, que inundavam Cachoeira e São Felix, fato ocorrido uma única vez depois de sua construção, por incompetência operacional. Agora, depois de 46 anos, fala-se em racionamento. E o que se vê é a EMBASA perfurando poços artesianos, entre outras medidas paliativas, pretensamente surpreendida pelos efeitos de uma seca prolongada.

Embora tenha um grande volume de água acumulado, Pedra do Cavalo – que responde por 60% do abastecimento de Salvador – só pode transferir 7m³/segundo, que é a capacidade da primeira adutora, então construída. Mas estão previstas outras duas, com igual capacidade, podendo chegar a até 21m³/segundo. E a extensão agora será de apenas 41km, até a estação de tratamento (em Cova do Defunto), porque já existem

uma tubulação de aço com 12,8km de extensão e um canal a céu aberto – verdadeiro rio – com outros 12,5km, construídos à época, e com a capacidade total do sistema. Apenas a construção da segunda adutora teria sido suficiente para evitar o problema presente.

Mas é preciso ir além: não basta cuidar da adução. É indispensável proteger e preservar o manancial, para garantir água às futuras gerações. O rio Paraguaçu constitui a maior e, nesse sentido, a mais estratégica bacia hidrográfica estadual (o São Francisco é um rio federal), suprindo, além da Região Metropolitana, Feira de Santana e a zona fumageira do Recôncavo.

Nascido na Chapada Diamantina e atravessando faixa expressiva do Semiárido, o rio Paraguaçu dirige-se para o litoral banhando dezenas de municípios, aos quais atende como base para o desenvolvimento da lavoura, da pecuária, da irrigação, do abastecimento de água, da pesca e outras atividades. Ao longo do seu curso, torna-se também depósito de esgotos e de agrotóxicos, vítima do desmatamento de suas matas ciliares e de toda a bacia, além de outros atentados à sua sobrevivência, provocando a perda do seu volume e comprometendo a qualidade de suas águas. Impõe-se, pois, o monitoramento permanente da Bacia, o fortalecimento e efetivo funcionamento do Comitê de Bacia, a realização de obras e investimentos, para garantir a sua preservação.

Há aspectos da gestão pública que extravasam os limites e os interesses de um governo, para impor-se, pelo planejamento, como questões de estado. Este é um deles, e diz respeito à existência de uma Bahia resiliente e sustentável.

* Waldeck Ornélas é especialista em planejamento urbano-regional e ex-secretário do Planejamento, Ciência e Tecnologia da Bahia


 
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